24 de dez. de 2011

O ser e seus mistérios


  Quem dá risada para o mundo não o compreende quem chora pelo mundo não o enxerga. Observando a vida ao nosso redor, sem julga-la, despertamos a poesia de cada novo dia. É abrindo a janela no alvorecer que podemos experimentar os primeiros raios de sol a nos tocar o rosto. É no aroma do vento num dia de chuva que aprendemos que não há melhor lugar no mundo a não ser simplesmente estar naquele momento.
 Quem nunca chorou ao se despedir ou sorriu no reencontro, quem nunca parou para ouvir a melodia do abraço, quem nunca esqueceu um aniversário só para depois se desculpar com aquele presente ou gesto inesquecível, quem nunca se perdeu nos próprios pensamentos, quem nunca duvidou da dúvida ou sonhou com a resposta para um grande e complicado problema. Quem nunca imaginou ter certeza e foi provado estar enganado. Quem nunca derramou lágrimas quando deveria rir e riu quando só havia motivos para chorar?
 Quando paramos por um segundo e esquecemos a velocidade do tempo que nunca parece se adaptar ao nosso ritmo, quando paramos por um segundo e nos desligamos das exigências de todos os dias em que vivemos para trabalhar e não trabalhamos para viver, podemos ouvir mais, enxergar mais, pensar mais, respirar mais, sentir mais. Ouvir o som do silêncio, enxergar as cores da escuridão, pensar no que estamos deixando para o mundo, respirar aliviando a tensão e sentir os sorrisos que enfeitaram nosso dia, mas ficaram escondidos atrás da preocupação.
 Ninguém consegue racionalizar todos os mistérios do mundo, tampouco apenas sentir com o coração todas as emoções e sentimentos acelerados nos meandros da mente. Cada milésimo de sentimento carrega seu minuto de razão. E cada segundo de razão carrega sua hora de emoção. Ninguém é feliz o tempo todo, mas é preciso ser muito pessimista para não retribuir um sorriso ou se alegrar com um abraço mesmo que seja apenas mais um ombro para chorar. Ninguém nasce pedindo para sofrer demais, nem vive para se esconder nas risadas. Todo mundo chora, todo mundo ri, às vezes chora de tanto rir, outras ri por tanto chorar.

15 de dez. de 2011

Terapia



 “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
  O que foi aprendido em terapia nesses últimos anos nunca será esquecido. Sobre mim, foram-me desvendados grandes segredos, medos, anseios, paixões. Nada do que fora esclarecido está sujeito ao total e completo esquecimento. Sempre terei uma ideia de quem sou; às vezes vaga, incompleta, porém a cada encontro mais consciente.  Na mente os pensamentos gritam inimigos do descanso não calam e esperam a hora de serem compreendidos.
   As horas, os minutos, os segundos não se perturbam com minha ansiedade e desfilam lentos nas passarelas do tempo. Quando não consigo encontrar palavras, meu olhar pode apontar as estradas, as portas, os sentimentos que talvez eu não devesse tentar ignorar. Minha sensibilidade também sabe se fazer notar, pois com ela eu, algumas vezes, pude perceber a tristeza que não era minha e a distância que se abria.
  Não sei como é a terapia para outros, para mim, é deixar entrar um pouco de luz onde só há escuridão. É perceber em mim o que somente enxergava nos outros, é como dizia a minha professora de história sobre história, desvendar o passado para compreender o presente e modificar o futuro. Foulcault um dia disse; “A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.”.
  Foi enlouquecendo que descobri que não aguentava carregar meu mundo sozinha e foi na terapia que aprendi que não precisava fazê-lo. Inventei vários mundos para vários sentimentos, meu processo sempre fora explorar a imaginação e separar emoções para não me perder, mas sempre acabava me perdendo. Porém, foi em terapia que aprendi que o melhor caminho não é separar e na verdade compreender. Não preciso de uma psicóloga Perfeita, imune a erros, incansável, preciso apenas de  uma alma humana que saiba tocar o que é frágil sem quebrar. Ouvir sem calar e sentir sem se perturbar.
 

12 de dez. de 2011

escrevo


Escrevo

Escrevo para dividir sofrimento.
Escrevo para levar alegria.
Escrevo para me livrar do tormento,
De enfrentar feras durante o dia.
Escrevo para aliviar uma saudade.
Escrevo em mentiras, escrevo em ilusão.
Escrevo a paixão da verdade.
Escrevo o ridículo, o banal.
Escrevo a piada triunfal.
Escrevo para transformar sonhos em realidade.
Escrevo para alimentar no infinito a efemeridade.
Escrevo sentimentos frugais,
Que encantam nas canções fulgurais.
Escrevo no silêncio, na escuridão.
Mas escrevo para fazer bagunça, barulho no coração.

9 de dez. de 2011

distâcia

  Distância, abrimos as portas, as janelas, abrimos entradas onde não se pode encontrar saídas. Deixamos fluir, entrar, existir. Fazemos rir, sorrir, amar, encontrar um doce lar, gentil, da infância, de lembrança pueril. Distância, tudo se perde entre gigantes, a alma reconhece instantes em que o mundo emudeceu. Nas vozes da noite a solidão se perdeu. Abrimos o coração, com medo, com vergonha, com desconfiança e esperança. Esperança de que na verdade, os sentimentos não estivessem vazios, frios. De que os sorrisos não foram em vão, de que o abraço não fora na realidade, um aperto de mão. 
  Distância, a criança grita no silêncio, amor nobre que machuca, expulsa a dor, segue e enxerga a beleza, morre, viaja com as estrelas, corre, voa com o vento. O pensamento divaga pela mesma distância que se abriu, a consciência se apaga, aos poucos se cala e o carinho de outros é muito, mas também é pouco. Muito fora esquecido entre momentos desperdiçados no medo, no silêncio, na vergonha, na rejeição, nesse amor profundo, ferindo a ilusão.
  Esperança de quebrar o espelho, enxergar além do reflexo irreal. Esperança de que mesmo distantes ainda podemos fazer muito com o pouco que aprendemos. Com o tanto que escolhemos viver, todos os dias em que não morremos. Esperança de que um dia a vida seguirá  inteira, com todos os pedaços em laços, formando o verdadeiro coração. E o abraço carinhoso perderá o som do abandono, em lágrimas as palavras serão eternas, marcando para sempre o final e o começo, o valor de um amor sem preço.

1 de dez. de 2011

palavras


   As palavras fazem sentido na minha mente, perdido no momento fica o medo de confundir, fugir da realidade para me embrenhar em meio à confusão. Ilusão dos nobres que imaginam o que nunca foi, o que um dia será. Fará diferença o amor no papel e o amor na alma? Somente a lágrima de quem sente paixão pode acalentar os pobres de coração. Amar muito, expressar em qualquer arte, qualquer gesto, qualquer protesto de alívio para os que choram. As palavras fazem sentido na minha mente, mente de quem espera pouco, mas sente que o pouco pode ser muito, tal lua de brilho fino no começo da noite.
  Peço muito a poucos, e pouco a muitos. Peço coragem, peço abrigo, peço abraço, peço sorriso, peço o amargo gosto das derrotas, para não perder o gosto doce da vitória. Nunca vou me esquecer da glória de trazer aos que falam um silêncio, um alívio, um pouco de mim. Enquanto a lágrima se perde nesses rostos tão amados, deixo-lhes o afago do sorriso. Preciso de palavras que me calem, preciso do poeta para enxergar beleza nessa tristeza que não dorme. Preciso de olhares que penetrem o mais profundo abismo do eu que não quer ser visto.
   As palavras fazem sentido no meu coração, perseguem monstros, escondem tesouros, se perdem na magnitude desta imensidão colorida, vida nas cores do dia e morte entre noites vazias. Escolho com descaso, mas no acaso do artista uma obra se enfeita de metáforas, antíteses, paradoxos, aliterações. Faço escolhas fáceis para enfatizar minhas afeições. As palavras se encontram umas com as outras se casam, se abraçam, se transformam em orações. As palavras nunca estão sós, desfazem os nós da mente e mesmo a solidão vem acompanhada da palavra emoção. Rimando, cantando, declamando, em versos ou não, as palavras fazem sentido. Costurando a gente se encontra, misturando a gente se expressa.

28 de nov. de 2011

 Venho em busca, venho filha da interrupção, venho louca, mas venho lúcida, venho dentro da solidão. Venho encontrar caminhos, nos carinhos que me doam, sendo carinhosa aos que me perdoam. Venho do não, do sim, do fim, venho do começo, venho do abraço. Venho dentro da ilusão. Venho sem laços que me quebrem as palavras, venho em versos, venho em metáforas. Venho correndo da alucinação. Venho para mim, e venho para os outros.
  Conheço as estradas que me levam à vida, conheço os abismos que me empurram à morte, conheço, sul e norte. Conheço meus medos, meis anseios, conheço meus meios de terminar uma dor e começar  um amor. Conheço meus elos, pedaços de mim soltos ao pensamento, conheço o veneno que causam certas dores. Conheço cores que enfeitam o céu, conheço o véu que  não me permite enxergar além do sofrimento, conheço o tormento de dormir sem descansar, de pensar sem conenctar-me ao mundo real. Conheço o imaginário, conheço o nefasto, infausto ser que teme meu eu incompleto.
  Sou apenas uma no mundo e no mundo há muitos como eu. Escrevo no verso das folhas, de trás para frente, com grafias diferentes, escrevo poemas, escrevo paixão, escrevo sem perder a imensidão do sofrer, tampouco a profundidade do saber. Sei ser forte, sendo frágil, sei ser inteira aos pedaços, sei ser sensível, mesmo que minha sensibilidade me machuque ou machuque a outrem. Ontem fui eu quem disse eu te amo, hoje é você quem demonstra amar, posso espalhar  o sentimento, mas sem o alento do abraço, não posso nada fazer em busca do amanhecer.

21 de nov. de 2011

Posso

Posso ver,
Matar sem querer,
Expurgar o dócil,
Dar lugar ao fácil.
Posso ser,
Querendo não perceber,
Exterminar vidas,
Correr de almas sofridas.
Posso me perder,
Deixar-me enlouquecer,
Destruir o ninho,
Consolar-me no caminho,
Entre pedras ancestrais.
Posso envelhecer,
Entre formas anormais,
Envenar o puro,
Enxergar no escuro.
Posso emudecer,
Arrancar minha voz,
Gritar no ouvido do meu algoz,
Que ando muda, 
Perdida, louca, suicida.
Posso renascer,
Virar novamente criança,
Elogiar meu desespero,
E celebrar a esperança.
Posso muito, posso pouco.
Aos poucos tomam forma,
As formas deste tronco
Em que matei , fui e morri.
Dentro do amor, em que aprendi e sorri..

deixe-me entrar

Deixe-me entrar,
Levar para o ontem,
A tristeza do hoje.
Deixe-me abraçar,
Seguir viagem,
Em busca do amanhecer.
Deixe-me tocar,
Sentir coragem,
No meigo olhar do alvorecer.
Deixe-me lembrar,
Enxergar o jovem,
Mesmo no envelhecer.
Deixe-me pingar,
Uma gota  da lágrima,
Que vem ao lhe receber.
Deixe gritar a alma,
Que busca no ser,
A liberdade, o prazer.

8 de nov. de 2011

tristeza

  Minha tristeza parece mundana, fria, vazia, como a dor de um vaso sem flor, que não realizou seu propósito na vida. Ou talvez, como a mesma flor, arrancada ainda no desabrochar. Sofro sem chorar, tal poeta da escuridão, marcando o tempo por uma lua que brilha para todos, menos para ele. Sofro sem razão, num emranhado de paixão e cores, um jardim sem flores.
 O sol nasce e exu berantemente espalha seu calor, tão forte às vezes, tão ardente que queima. Minha tristeza é assim. É observar impotente nos que amo ao meu redor, um sofrimento que não posso e não devo apagar, como não posso apagar o sol quando o dia ferve desconfortável. A dor é minha única certeza. Acordo e me pergunto "vou sofrer hoje?". E uma voz que de dentro do peito grita SIM.
 Sofrerei a dor de quem me acompanha, apanha da vida. Sofrerei a morte dos meus mil erros. Sofrerei por mentir e sorrir, quando na noite o sorriso se apaga. Dou lugar às lágrimas, preferindo não chorar, não reconhecer o sofrimento de sentimentos meus.A emoção do alívio em derramar lágrimas, seria talvez uma cura, pura, simples que até crianças sabem fazer. Mas eu sigo sem o pranto enternecedor, o manto, o grito, da minha dor.
  

4 de nov. de 2011

para o Gilson

  Às vezes, cercados pela escuridão, vislumbramos um caminho incerto, cheio da imensidão dos sentimentos imaginados, escondidos, perdidos na ilusão. Sentimos o medo invadindo a  alma, perdemos tempo, perdemos vida, perdemos a imaginação de uma nova canção, que nos tiraria da ilusão. Estamos sempre buscando, lutando contra preconceitos, contra conceitos formados na destruição. Estamos sempre brigando, corrigindo o errado, procurando o certo, neste inverno de compaixão exibido aos montes, observados de longe. 
  Por não conseguirmos enxergar uma luz no final, queremos chegar ao fim, na primavera do infinito, nos poemas recitados aos ventos, imaginando chegar onde ninguém pode nos levar. Às vezes, quando a noite chega, chega também o medo da vastidão, do tempo passado em claro, durante horas perdidas nas mesmas rotinas que nos fazem esquecer da solidão. Procuramos a paixão acesa durante tantos anos em que fomos amigos inseparáveis, em que fomos olhos, ouvidos e bocas, cantando, ouvindo e observando a beleza de um mundo que queríamos transformar.  Na cosnciência a lembrança da morte que nos levou a vida, na vida que nos leva a morte. A tolerância de dizer que estamos vivos, transformados na alucinação de outros eus. Outros cantos, contos, poemas, versos declamados por nós ,  simples mortais , nas palavras imortais. Quando o fim chegar que chegue também a mansidão do sentimento de amor, puro amor, que nos uniu por tantos anos.
  Esse tempo, inexorável, imabatível, que tudo cura e tudo procura, dentro de nós estamos sempre morrendo, quando na verdade vemos todos vivendo. Essa vida que nos procura tanto e que desviamos o olhar para não cair na loucura. Mas estamos vivos, e esta vida é para se mostrar, fazer show, cantar, com a voz mais bela que a própria beleza, essa pureza que caracteriza um imortal dentre todos os imortais. Sua voz carrega tristeza, porém transformada riqueza de tons nunca antes alcançados por outro ser, tão  bela quanto você, não há quem diga que  não se importa ou se orgulha de ter entre a lista de amigos,  alguém tão belo, tão verdadeiro, tão cheio de amor, quanto alguém como você.

23 de out. de 2011

vida e morte

  Estou sempre buscando a morte em vida, sempre procurando entender o porquê de tanto sofrimento numa passagem tão singela e tão natural. Quero a minha, a minha vez, minha morte, meu amor, nos cantos em que somente existe dor...Somente quero enxergar meu limite, meu eu, meu adeus.
  Talvez o mundo fosse melhor se eu pensasse menos, fechasse os olhos e sonhasse que o adeus é apenas mais uma palavra e nada mais. Talvez o mundo fosse melhor se eu sentisse menos, cobrasse menos de mim mesma e continuasse nesta luta de perder-me mais. Não sei.
  

16 de out. de 2011

o medo

  Covarde, enfrento os dias nas memórias de ourtas vidas, outros tempos. Sinto a tempestade dentro da alma revirar e criar  novos medos, novos desejos, novos pesadelos, sinto vontade de gritar, vontade de correr, vontade de brilhar, vontade de me esconder, sinto raiva e paixão. Quero um minuto de atenção e ganho somente horas de solidão. O medo assola, avassala, cala. Estou fria de tanta vergonha em quem me transformei, mas quente de tanto orgulho por quem revelei ser e neste ser vi muito, muito amor, muita dor, muito rancor, muito carinho, pelo caminho vou espalhando minhas sementes, o medo enxerga longe, já eu sou miope.
  Coragem, coragem é uma palavra que algumas pessoas escolhem para se definir como traço mais forte do ser humano. Coragem, é a palavra mais viva que eu deveria compreender a fundo, e não me esconder em um mundo criado na loucura, um mundo violado, escuro e cinza, feio e belo, como o mar de onde se erguem meus castelos. Eles brotam do profundo oceano e lá a empatia reina, porém, o reinado pode ser tomado pelo medo de viver, medo de se perder, medo de sobreviver ao mundo aqui fora, aqui dentro. 
  Doentes, somos a fraqueza que nos remete ao pântano das ilusões, doentes, somos a tristeza que nos isola da compreensão das emoções. Fracos, tristes, doentes estamos esquecendo. Quando esquecemos a identidade, esquecemos também a realidade. Em verdade, somos filhos da vida, somos imortais, e com palavras escritas, somos ainda geniais dentro dos padrões mais medíocres das palavras. Escolhendo sempre as palavras mais belas, eis que a beleza contida na palavra "inefável" é indescritível e serve, serve para ultrapassar o medo. Quando temos com quem, e por quê, sabemos ser medrosos, covardes, corajosos, doentes, inefáveis.

15 de out. de 2011

pensando em antíteses

  Penso em tudo o que ficou, tudo o que restou. Faço-me de restos, vivos ou mortos, faço-me de fragmentos, faço-me de vento. Estou na esperança de alcançar a nova fase da vida, fase em que mais sou do que fui, mais amo do que odeio, mais mereço do que desperdiço. E com o tempo eu penso...Penso na verdade, na mentira, na ilusão, na realidade, na loucura, na prisão, na liberdade, penso na cura. Cura para a doença do desespero, cura para o medo, medo que me torna prisioneira na mesma luta. Acordar todos os dias e enfrentar a insanidade pura, enfrentar sentimentos que mesmo quando compreendidos são por mim, temidos.
  Penso no que irá se transformar, a morte transformada em vida, simples versos em melodias, amor em poesia, dor em harmonia, fantasia em realidade, abstrato, um dia será concreto. Ideas vagas que infeccionam a mente perdida em ilusão. Vão coração que bate descompassado, ao rítmo do abraço, este gesto tão simples que nos une como um laço. Um laço de magneficência. O que outrora fora rancor,  hoje, enquanto o dia se permite um fim, é razão. A razão de pertencer a um mundo que nos é belo e violento, de um tempo que nos é veloz e lento. Somos todos e ninguém ao mesmo tempo, somos o desafio, somos a paixão, somos o companheirismo, somos a solidão.
 Precisamos, neste pequeno espaço que nos foi dado, exercitar a mente e o ócio reflexivo, precisamos do que é são e do que é nocivo, precisamos do que é doce e amargo. Precisamos da coragem e eis que vem o medo. Pensando no que passou, no que hoje é, no que irá ser, eu sei, que pertencemos a uma humanidade que pode ser fria, mas quer o calor, pode ser insuportavelmente vazia, mas preenche o vazio com amor. Pensando, eu até entendo, no entanto, entre tanta simplicidade, mais me confundo na perplexidade, quando penso na vida, no amor, no mundo.

com o coração

Com o coração
Para a Ni


Um dia a borboleta voou,
Neste dia o anjo chorou,
Mas não pela tristeza,
E sim pela beleza
De encontrar dentre tantas lágrimas,
Uma certeza, de que o belo,
 Não está na perfeição do castelo,
Mas na simplicidade do elo
Que junta amor e compaixão.
Dor e coração ao mesmo ritmo.
Na paixão do próximo
Pelo próximo distante,
Pelo o ontem, o hoje e o que vier adiante.

meus limites


   Às vezes, caminhando ao som do meu próprio coração, sinto a brisa acariciar-me o rosto e vejo ao redor uma vida de gozos e desgostos, vejo o sorriso, mas também vejo a lágrima. Vejo o perdão, mas também vejo ilusão. Às vezes, caminhando, observando os vivos, sinto saudade dos mortos, e realidade se estende à dor, a verdade parece não ter sabor de emoção e as ondas do som que escuto no caminho se perdem na imensidão do ninho.
   O carinho que demonstro, o carinho que espalho, é orvalho e evanesce com a luz do sol. Sol que vem para aquecer e queimar, queimar uma pele tão fina e sem proteção. Às vezes ao sorrir penso no que vou transmitir. Amor, carinho, consideração, empatia, compaixão, harmonia. Tudo isso é vida, mas por algum motivo, caminho em busca morte.
  Vejo o amor invadir a alma do poeta, porém a dor, inquieta, está sempre um passo a frente, sempre presente, sempre   aqui e depois distante. E não se faz desaparecer. Essa dor que pede compreensão, não é a dor da saudade, não é dor de enlouquecer, não é a dor do medo, não é a dor da realidade, mas é sim, a dor da liberdade. Essa mesma liberdade que aprisiona na imaginação os vários dias de rotina, que parecem não pertencer a mim.
 Se a liberdade fosse realmente livre não ficaria apenas na mente, seria a semente de novas paixões. Novas ilusões que me fizeram chegar até aqui acompanhada sempre do medo, da angústia, da vergonha, da fúria. E cheguei. Chego ao meu limite, descobrindo que tenho novos limites a transpassar, uma nova vida a frente para caminhar.
  E às vezes, caminhando ao som do meu próprio coração, eu vejo o tempo passar com as nuvens no céu, vejo o véu da loucura ultrapassar a luz, vejo meu nome entre muitos nomes reais. A consciência segue cega e o amor quanto mais longe for me alcança, como o vento, ele sempre chega, chega e me abraça. Esse abraço é quente, mas não queima, é apertado, mas não sufoca e assim eu continuo caminhando, sempre presente, sempre distante.