15 de out. de 2011

com o coração

Com o coração
Para a Ni


Um dia a borboleta voou,
Neste dia o anjo chorou,
Mas não pela tristeza,
E sim pela beleza
De encontrar dentre tantas lágrimas,
Uma certeza, de que o belo,
 Não está na perfeição do castelo,
Mas na simplicidade do elo
Que junta amor e compaixão.
Dor e coração ao mesmo ritmo.
Na paixão do próximo
Pelo próximo distante,
Pelo o ontem, o hoje e o que vier adiante.

meus limites


   Às vezes, caminhando ao som do meu próprio coração, sinto a brisa acariciar-me o rosto e vejo ao redor uma vida de gozos e desgostos, vejo o sorriso, mas também vejo a lágrima. Vejo o perdão, mas também vejo ilusão. Às vezes, caminhando, observando os vivos, sinto saudade dos mortos, e realidade se estende à dor, a verdade parece não ter sabor de emoção e as ondas do som que escuto no caminho se perdem na imensidão do ninho.
   O carinho que demonstro, o carinho que espalho, é orvalho e evanesce com a luz do sol. Sol que vem para aquecer e queimar, queimar uma pele tão fina e sem proteção. Às vezes ao sorrir penso no que vou transmitir. Amor, carinho, consideração, empatia, compaixão, harmonia. Tudo isso é vida, mas por algum motivo, caminho em busca morte.
  Vejo o amor invadir a alma do poeta, porém a dor, inquieta, está sempre um passo a frente, sempre presente, sempre   aqui e depois distante. E não se faz desaparecer. Essa dor que pede compreensão, não é a dor da saudade, não é dor de enlouquecer, não é a dor do medo, não é a dor da realidade, mas é sim, a dor da liberdade. Essa mesma liberdade que aprisiona na imaginação os vários dias de rotina, que parecem não pertencer a mim.
 Se a liberdade fosse realmente livre não ficaria apenas na mente, seria a semente de novas paixões. Novas ilusões que me fizeram chegar até aqui acompanhada sempre do medo, da angústia, da vergonha, da fúria. E cheguei. Chego ao meu limite, descobrindo que tenho novos limites a transpassar, uma nova vida a frente para caminhar.
  E às vezes, caminhando ao som do meu próprio coração, eu vejo o tempo passar com as nuvens no céu, vejo o véu da loucura ultrapassar a luz, vejo meu nome entre muitos nomes reais. A consciência segue cega e o amor quanto mais longe for me alcança, como o vento, ele sempre chega, chega e me abraça. Esse abraço é quente, mas não queima, é apertado, mas não sufoca e assim eu continuo caminhando, sempre presente, sempre distante.

9 de out. de 2011

para Josi

  Há momentos em que somos responsáveis por aqueles que cativamos. Como já dizia o pequeno príncipe. Há momentos em que tudo parece evanescer ao poucos, como a neblina que se dissipa com o sol. Com a chegada de novos desafios, precisamos mais do que nunca dos amigos, velhos, novos, constantes, esporádicos. Somos feitos para isso,para amar, para estarmos juntos.
  Estamos sempre em direção a algum objetivo, algum sonho que nos escapa e que agora queremos retomar. Há chances, há vida, há oportunidades. Estamos sempre carregando a cruz de outro, mas isso é porque sentimos dentro de nós uma força maior. Uma força que nos faz confiantes o suficiente para recomeçar, viver, amar, driblar as armações do destino, como se não houvesse de fato, um destino. Estamos juntos no amor, era essa a frase preferida da tia Beth, uma pessoa que deixou marca nas pessoas com quem conviveu, pois amou muito mais do que dela se exigia. 
 E você, minha cara amiga  de sextas, também pode ser e estar junta no amor, esse amor que lhe deu vidas para guiar, e amigos em quem confiar. Sou jovem eu sei, sobrevivi a suicídios, mortes, assédios, vícios e isso me transformou em algo, o que ou quem é isso em que me transformei, eu não sei, sei menos que muitos, e mais que poucos sobre a essência do ser. Mas sei, onde eu estiver, meus amados amigos, meus inimagináveis companheiros de estrada, estarão comigo. Juntos para chorar, juntos para rir, juntos para brincar, juntos para aprender, juntos para harmonizar, juntos para quebrar tabus, juntos para espalhar um amor que se fez distante em alguns momentos, mas que se faz próximo mesmo quando a vida diz; " é hora de partir".
  Então partiremos, mas caminhando no mesmo passo, para o amanhã, no hoje, do passado que ficou distante, caminhando para cima, as vezes olhando para baixo, para ver o que ficou, o que restou de quem um dia foi, mas que agora se ergue e segue para um futuro incerto, mas com muitas surpresas. Um futuro de muita alegria e beleza, um futuro de paz, sorrisos, harmonia e amor e por que não a dor, pois que quem nunca sentiu a dor, não pode dizer que viveu, que cresceu.

Karen´s song

8 de out. de 2011

preconceito

  Quando se destrói um velho preconceito, sente-se a necessidade duma nova virtude. Estou sempre mudando. Fui negra, fui mulata, gorda, fui magra, fui gay, fui heterossexual , fui animal, fui homem. Fui destruição, fui coragem, fui medo, fui  verdade, fui  ontem e sou hoje.
   Contra tudo e contra todos, contra a maldade dos preconceitos inventados pela sociedade, contra indivíduos presos numa espiral de contrariedades, contra a violência, contra a impaciência, contra a intolerância que me traz à consciência do hoje que me torno mais; vigilância. Contra os poucos, contra muitos, contra os fracos, contra os mudos.
  Neste mundo é necessário ter voz, fazer-se ouvir, e não calar e deixar rolar a roda a imperfeição dentro de mim, que sou perfeita dentro das virtudes e das falhas que me fazem ser  eu , este eu que é meu, só meu, mas que quero e vou, dividir com outros. Não posso cegar-me diante da escuridão, não ser surda ao ponto de não ouvir os gritos da multidão. Multidão que me segue, me puxa, machuca e ama, e também quer ser amada, essa multidão dos excluídos, que querem inclusão.
   Vou correndo, vou caminhando, vou voando, para onde não sei, só sei que vou, vou contra os pensamentos de jovens filhos da ignorância, vou contra velhos pais do preconceito, vou  caminhando lutando, numa disputa interna entre o eu que quer aceitar o eu que quer ignorar, o eu que quer lutar e eu que quer vacilar. Mas continuo veloz, dentro da minha própria voz, gritando, berrando, esperneando.  Estou viva, e vou dizendo para todos, para amigos, para inimigos, para afins, para o sim e para o não.
  Nunca é tarde para abrirmos mão de nossos preconceitos. Pois que somos filhos da luz, somos netos, bisnetos, tataranetos da diversidade.  Somos diferentes, sem deixar para trás a igualdade, somos imperfeitos, mas temos virtudes, somos multicoloridos, mas somos a humanidade. Então sem perder-me em antíteses, somos a nacionalidade quando escolhemos abrir os olhos, gritar e ouvir, estamos perto de nunca mais sentir o peso do insulto. Nós somos o Mundo.

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27 de set. de 2011

no meio do nada

  Vivo na fronteira, no meio do nada, no inverno, meu inferno, na fria morada dos etéreos, no vácuo. Vou cantando sem saber a quem, vou dividindo sem saber o que, vou pedindo sem ter razão, vou flertando a escuridão. Vou sem pressa, mas impaciente. Vou na certaza de estar incosciente. Vou pela estrada dos doentes, parasitas, visitas mórbidas de outras vias, outras vidas. 
  Vivo a esconder meu ser, escondendo meu eu real, este eu que ainda não descobri para que serve. De onde vem, ou para aonde vai com tanta incerteza e dentro da mais pura loucura, entre espinhos e carinhos, vou deixando a brandura do enlouquecer. Insano poder este de tocar palavras, vejo o fio que junta cada sílaba, cada frase, cada um no seu ser, de ser de ninguém. Vou preparando a terra para germinar, o que quero fazer brotar eu não sei, simplesmente sinto, sinto crescer no coração uma vida que morre, uma vida que corre, para aonde eu deixei me perder.
 Vou procurando a espada, para matar meus erros. Encaro-me no espelho e vejo desforme figura, escolhendo o foco de tanta loucura. Estou no meio do nada, mas este nada é somente meu, de mim para mim, para o meu eu.

7 de ago. de 2011

um coração


Um coração
      “Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor, é com minhas ideias que tremo, com minha consciência de mim”. Álvaro de Campos.
       Palavras são eternas, elas duram várias vidas, elas suportam dores, amores, angústias, felicidade e tristeza. As palavras descrevem a alma de quem consegue, em palavras, juntar o feio e o belo e transformar beleza em meros versos, versos que doam, e doem versos que choram e que sorriem. São as palavras minhas melhores amigas, estou sempre em busca de novos textos, novos trechos de mim mesma e, nas palavras, procuro encontrar alívio que no sangue seria efêmero.
       Busco uma consciência de mim, de quem deveria ser, de quem deveria pensar. Se sou eu que penso, agora escrevendo estas palavras, eu não sei. Só sei  que me permito desandar e desvairar em palavras jogadas neste papel para permitir minha loucura de expressar sua existência. Palavras são fortes, nunca enfraquecem na dor de não ser, pois eis que são. Elas estão no pensamento do poeta, estão nas cores do céu, estão no brilho das estrelas, estão no afago da mãe, no carinho do amigo, na preocupação do irmão. Elas simplesmente são e estão em todos os lugares. Palavras existem para serem usadas, faladas, escritas, recitadas, cantadas, ensaiadas, repetidas, declamadas em fogo de uma paixão que não existiria sem as verdades e mentiras contidas num poema, num texto, numa canção, numa emoção.
  Perco-me diante das inúmeras combinações que poderia trazer-me novamente a fé que se desmanchou. Diante da morte, escrevo para enfraquecer demônios, diante da vida, escrevo para fortalecer alegrias; diante da tristeza, escrevo para enfeitar o dia; diante da alegria, escrevo para exaltar a poesia.  Estou perturbada, fraca, egoísta, carente, dependente, quebrada, mas eis que chegam palavras e transformam todas as angústias em uma só emoção. Há muitos espaços no meu coração e como um quebra-cabeça vão se juntado, colando, encaixando todos os amores de uma vida dentro deste músculo imperturbável. Vou deixando crianças brincarem de montar, desenhar e combinar várias formas para um coração indefinido, partido, com mil peças a divertirem-se no espaço que lhes pertencem, nas pessoas que a quem lhes pertence. Nos amores que quero dividir, no meu, no seu, no nosso coração, milagres são feitos a todo instante.  Perante o mundo cada pedaço é insubstituível, cada palavra um nome e cada nome um ser amado, contido, guardado, protegido do furacão de sentimentos, presos num só coração.

22 de jul. de 2011

eu

sinto estar só, perdida nos meândros de uma mente doente, inconsequente, vilã das noite em que me pego sofrendo sem amor, mas com carinho de quem um dia se aventurou em me amar. SInto estar carente, vigilante dos sonhos que pretendo conquistar...estou com pressa, pressa de chegar, de lutar, de encarar, encantar o mundo numa só voz, num só verso que ressoa entre os universos de mim mesma... estou me procurando me compartilhando, vivendo, mas em busca de uma morte para recomeçar...estou procurando, mas ainda não encontrei. Estou em busca do que eu não sei.

LEX

nossa banda está voltando, a antiga lexterminatus é agora somente LEX...
os integrantes são apenas três confirmados, mas já temos música nova
Karen´s song... além de NOT alone...que estão disponíveis no site bandas de garagem para serem escutadas até o fim e classificadas para serem as melhores do site além de quem gostar poder fazer parte do fanclube... espero que vcs apareçam por lá...
http://bandasdegaragem.uol.com.br/banda/bandalex/musicas

9 de jun. de 2011

Difícil, é palavra que encontro quando tenho a obrigação de enfrentar ou mesmo compreender meus sentimentos. Raiva as vezes é mais gentil do que ódio, mas ódio é mais poderoso e temerário. Às vezes viajo para outros planetas, outros mundos apenas para não sentir, não correr o risco de me perder em sentimentos de vazio completo e doloroso.
Apenas, é a a palavra certa, para convencer o mundo de que estou apenas passando por uma fase difícil, mas o pequeno fica grande ante as proproções do apenas aqui. SInto estar me transformando na pior versão de mim mesma, nas estrelas esperando um novo horizonte, uma nova fonte de manifestação do coração, apenas para lembrar de que posso sentir e temer ao mesmo tempo. Sentir e transformar, amar, compreender, ser.

30 de abr. de 2011

Todos os dias eu acordo, e penso no final feliz. Todas as noites quando durmo, penso em como estou em busca da matriz de meus sentimentos mais puros. Todos os dias quando cai o dia estou em harmonia com meus pensamentos, embora nem sempre os compreenda. Todas as noites quando o dia está nascendo eu me perco um pouco de mim. Estou sempre correndo pro mar, buscando a cosntância no inconstante, indo de encontro à maré. E acordo pensando, onde ficou a fé? Estou sempre procurando o pensamento que me trará de volta a vida que esqueci.
Todos os dias quando acordo, eu penso, e agora meu Deus, o que farei deste dia para honrar o prazer da vida que me deste? Mas respostas não encontro nenhuma. Todas as noites quando durmo, agradeço por ter sobrevivido; mas imploro pra que chegue ao fim, em mim há apenas um grande meio sem começo tampouco um ponto final, na real, estou me esquivando dos morcegos da noite de pesadelos grotescos que me gelam ao âmago. Todos os dias quando a noite cai, penso logo que meu dia mal começou, ainda há muito para fazer e uma grande e inexorável noite pela frente, e na mente fica apenas o imaginário, estou esquecendo que chegar em casa não é sinônimo de paz, mas a sequência da repugnância do eu em mim, sem fim, sem começo, sem meio, sem mim.

23 de abr. de 2011

Viagem a Cruzeiro

Estou feliz e triste ao mesmo tempo, sinto que na presença da família aqui de Cruzeiro eu me fico mais livre, mais leve, e o clima é alto astral o tempo todo, até as brigas são engraçadas, mas ao mesmo tempo sinto falta da pessoa que mais me trouxe a este paraíso de montanhas quando na infância eu ainda era um rio correndo pro mar. Sinto falta da minha doce tia Beth, que me criou e me trouxe todos os anos aqui até o ano em que me deixou.
O paraíso pode ser este, mas ainda há dor. Meu amor é quente e aqui a beleza defende as obras divinas que tantos cantaram antes de mim. Sinto que estou me perdendo em maravilhas para não enxergar o grotesco.
Sinto que vou envelhecendo e as pessoas ao meu redor envelhecem comigo. Estão lindos como sempre, mas o tempo passa e a vida não perdoa, me vejo esquecendo as brincadeiras de quando era criança. Perdi há muito a vontade de sentir, mas hoje sinto e sinto muito, sinto tanto que não quero parar de sentir. Estou aqui e escrevendo para não enlouquecer. Estou me perdendo para não encontrar a tristeza dentro do âmago dos meus demônios internos... amo e amo muito cada um dos loucos desta louca família.

3 de fev. de 2011

Loucura

Nada faz muito sentido no mundo ao meu redor, o tempo passa célere,esperando por nada e atropelando tudo pelo caminho, destruindo sonhos, encantando sonhadores. Estou no meio do caminho com destino a lugar nenhum. Estou sempre procurando o que não consigo encontrar. é como uma ideia que se forma e não quer se revelar, ser, criar mais. Estou sempre criando, mas com a criação vem a responsabilidade de estar presente durante a existência da coisa criada, a criatura, pode ser a loucura, pode ser, a lágrima da amargura. POde até ser um dia de chuva em que eu não soube como viajar sem sair do lugar, estou sempre procurando um dia diante do nada e do absurdo de escrever sem parar e não saber quando parar. Vou indo até alguém dizer, agora chega. Loucura? Passo perto, mas também estou longe.

1 de nov. de 2010

um só ser

É impossível observar as pessoas nas ruas e não encontrar o sublime dentro delas. Pare, pense, converse com um estranho, divida histórias, cada um tem tanto para doar que parece que temos tão pouco.
É impossível ser humana e não enxergar a sabedoria infinita dentro deste ser tão desvalorizado e tão complexo que chega a ser simples um breve sorriso. Eu coleciono sorrisos,lágrimas, risadas, olhares, coleciono pois que são-me preciosos. São únicos. Às vezes me pego imaginando ser outro ser, ser um pássaro e gozar a liberdade, porém esqueço que a liberdade está dentro e não fora de cada ser humano, basta conquista-la.
Somos únicos, e somos amor e ódio pois que um não pode existir sem o outro, assim como a luz não pode existir sem a sombra. A sombra em mim está acentuada, quer mais da minha morte e pouco da minha vida. Sinto que estou mais na platéia do que no palco da minha vida, quando deveria ser ao contrário. Devo tomar o enredo desta peça , e fazer de mim a personagem principal. Como você o é na sua peça, e na minha peça não há coadjuvantes, não há figurantes, apenas o elenco principal,pois que todos têm seu fascínio sobre mim. Vejo, escuto, enxergo e sinto tudo, no entanto parece que é demais para para um só ser. Uma só criatura.

18 de out. de 2010

lembre-se

Lembre-se sempre da lágrima que lhe deixou escapar por um descuido, foi a lágrima do adeus de nunca mais voltar a ver no rosto a marca dessa lágrima que deixou de ser e agora é passado. Lembre-se sempre do sorriso de "até logo, amigo",pois este sorriso nunca será passado, e nunca dirá adeus.
Lembre-se sempre daquele olhar de " venha aqui, preciso conversar" , é um olhar que não deixou você para trás, mas quis você mais perto, como hoje que quero ver-lhe sorrir, e chorar, e cantar e olhar, para lembrar da canção que deixou no mundo a marca da oração. Disse um dia que não voltaria mais, mas cá estou entre prantos, trancos e barrancos, para depor contra todos que dizem que em você não há alegria, que somente a tristeza faz a melodia,que não há segundos de paz nessa terra esquecida, que não existem melhores amigos altruístas. Há sim tudo isso e muito mais, há verdade nos olhares, nas lágrimas e nos sorrisos, há amor, há mensagem, uma mensagem que jamais deixaria de existir não fosse o medo, a mensagem do "eu te amo" e estou aqui, para dizer que amo,amo sim e amo a todos que me amarem sem esperar recompensa. Sem pensar que nas minhas lágrimas, nos meus sorrisos e nos meus olhares não há amor, pois que a verdade é o contrário, há e já houve muito amor, eu só não sei como compartilha-lo. Não ainda, mas chego lá, e vou vivendo e com a vida aprendendo.

5 de out. de 2010

Meu amor de imensidão

Quero hoje, aqui, agora, prestar um depoimento sincero e fraternal, ao amor que sinto em abundância, no entanto que compartilho com certa avareza, certa economia dentro desta sociedade tão faminta e sedenta de amor, eu neguei por muitas vezes amar.
Mas amo, e como amo, amo tanto que muitas vezes não sei onde eu começo e o outro termina, dói este amor do qual vos falo, é um amor de imensidão dentro do meu probre e reles ser, um amor que não quer apenas ficar,mas quer ser espalhado, dividido, compartilhado, gritado e chorado aos quatro ventos do mundo. E dói, dói muito não ter a verdade dentro de mim e a eloquência das palavras para compartilhar com o mundo gritar a plenos pulmões que estou amando minha vida, esta vida que me renegou tantas e tantas outras vezes mais. Esta vida cuja semente eu não quis plantar para negar que vivia, quando na verdade apenas respirava por instinto.
Como amo os meus amigos, amo meus companheiros de viagem nesta longa jornada chamada vida e cuja essência eu escondi de todos,para não ser apenas e viver mais além. Estou viva, e hoje venho depor a favor deste amor que me machuca de tão intensamente sentido e guardado, e em sua essência quer amar mais, quer ser mais, quer ir além do coração já não tão jovem assim que o acolhe, mas que nunca o repartiu...quero compartilhar meu amor, e viver em plenitude com minhas paixões... meus amores, que nunca morrerão.

4 de out. de 2010

sentir

Sinto que estou levitando, mas mesmo assim me sinto pesada, como se dentro do meu estômago estivesse uma pedra que me fizesse cair sempre. Sinto que estou indo para fora de mim mesma, tentando entender e compreender verdades que em outra época foram mentiras. Sinto que estou me concentrando, me reunindo com o mundo espiritual que me persegue e envolve com tanta sombra e luz que já não distinguo mais qual é minha e qual não é.
SInto que estou me afastando, deixando para trás um passado de aventuras,para viver um presente de rotina, ir ao médico parece uma coisa mecânica, como comer, e antigamente acender um cigarro. Não fumo mais,o cigarro agora é passado, mas mesmo assim estou sempre sob o efeito de alguma droga. Não drogas reais, não mais me enveneno com tais opiáceos, mas as drogas mentais e emocionais que me vejo injetando em minhas veias, estou viajando, sempre saindo do mundo real para viver o imaginário, sinto que estou me cortando mesmo agora quando não me corto mais.Sinto que estou envelhecendo, deixando na juventude as esferas da boa vida de amigos e virtudes, mas vou para o nada que me persegue e assombra e no meio da multidão eu me escondo... e vou me perdendo,como quem se afoga no mar, no oceano e só vê oceano, eu só vejo gente, e muita gente existindo ao mesmo tempo.

25 de jul. de 2010

suicídio

Suicídio



Que lastimável fim, levou aquele que deu a fim à vida que enfim, valia muito mais que apenas os fracassos de um ser escarniado entre muitos invisível para o além da dor e do vazio. Não teve coragem de enfrentar seus demônios, e num gesto errôneo de paixão pelo fim esqueceu daqueles que lhe queriam bem.
Que inefável prazer podia ter sentido se a sua volta visse amigos e não companheiros de dor, sem o calor do abraço de quem querem e ajudam, nesta vida, há sim quem não está perdido e busca mostrar a este ser que é querido entre tantos outros amigos cujo abrigo melhor havia de lhe acolher. Mas não, o suicídio falou mais alto no ouvido farto de palavras duras, cheias de amarguras de outras criaturas que não o queriam ali.
Que lamentável morte diz a sorte de outros nos quais no vazio se faz preencher de amor de carinho dos poucos no caminho que lhes enxergaram o olhar quebrado, mas souberam receber com braços largos de tanto amar o que o ser não soube enxergar. Cativar nas risadas as poucas palavras que o ser deixou de cantar, abraçar entre lágrimas a despedida desse adeus breve e ininteligível que o ser esqueceu de deixar. Mas há quem lembre do ser onipresente entre tantos que deixou de tocar com seu sorriso brando e no seu carisma o encanto de quem ainda quis tentar.
Que inesperável lembrança alguns hão de carregar na memória até um dia não mais nascer o sol,para tantos cujos prantos não traz de volta o ser suicida que desistiu da vida, para simplesmente viver em outra vida a dor da qual quis fugir, ah, mas o amor há de surgir até para ele que canta solitário entre vários outros sofredores de onde este mesmo amor esqueceu de emergir. Enquanto houver abraços haverá vida e nada há de apagar o carinho com que o ser foi recebido ao finalmente chegar no que será seu novo lar.

ser eu ou não ser, não hoje

Há momentos em que eu quero estar mais em mim, mas sempre estou fora, pensando onde poderia estar, falar,cantar, sorrir, brincar, simplesmente ser o eu que aqui dentro fica preso no emaranhado de coisas frias e tristes. Há momentos em que percebo o erro de ser pensamento e não criatura. Se ao menos pudesse estudar esses momentos eu pensaria menos e seria mais eu.

Há estórias que merecem enredos para serem contadas, palavras, canções, esbarro em emoções sem nada temer a não ser eu. Há contos que me levam, e personagens que deleto para não lembrar que suas perturbações também são minhas, como as gotas transformadas em chuva. E quando tenho chuva, quero um rio.

Estou perdendo o sentido do presente e pensando demais, demasiadamente pensamentos que nem sequer serão meus daqui a pouco tempo, serão do tempo e da criatura que não quer estar mais em mim. Pecado não deixar que os pensamentos vaguem no tempo, no espaço em que lhes dou na mente de alguém que semeia sonhos para colher fantasia, nossa que doce melodia me acompanha nos momentos mais meus, e me irrita saber que meus mesmo, são apenas os pensamentos; a realidade fica presa a teia que tece a aranha dos meus pesadelos. Quanto tempo posso perder em momentos como aquele ou este em quem paro para sentir temendo os sentimentos que vêem se manifestar como palhaços no circo a brincar de ser criança e tomam conta do espetáculo com brincadeiras e truques. Truques que minha mente pode pregar, mas que a mesma mente não consegue apagar.

Um segundo, e não sou mais nada do eu que era há um segundo, ficou no passado a ser lembrado apenas por mim e o monte de pensamentos deixados no tempo. Um segundo e tudo se espelha na canção que diz que nada do que foi será... Será hoje ou amanhã? Será que um dia eu chegarei a alcançar o ser de ser completo? Sem fragmentos do ser ainda aberto aos ventos do entardecer? Amanhã, hoje não sou mais, deixo para ser amanhã.